Em um país marcado por desigualdades sociais, educacionais e tecnológicas, investir em pesquisa e desenvolvimento não é apenas uma estratégia de modernização. É uma condição para transformar problemas públicos complexos em soluções capazes de produzir resultados concretos. É nesse cenário que o Instituto Conhecer Brasil amplia sua atuação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação, uma ICT privada e sem fins lucrativos dedicada à pesquisa científica e tecnológica e ao desenvolvimento de soluções de interesse público.

O desafio brasileiro ainda é significativo. Em 2023, os investimentos nacionais em pesquisa e desenvolvimento corresponderam a 1,19% do Produto Interno Bruto. Embora os dados indiquem uma recuperação em relação à trajetória de queda observada desde 2015, o percentual permanece distante do registrado em países que investem mais intensamente em ciência e tecnologia. Alemanha, Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e Israel, por exemplo, destinavam mais de 2,5% de seus respectivos PIBs à área. A China alcançou 2,58% no mesmo período, mais que o dobro da proporção brasileira. Segundo análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Brasil ocupa, desde 2017, a penúltima posição entre o conjunto de países comparados no estudo.

Os números mostram por que instituições capazes de conectar pesquisa, tecnologia, governos, empresas, universidades e comunidades são cada vez mais necessárias. A inovação não acontece apenas dentro de grandes laboratórios ou centros industriais. Ela também está presente no desenvolvimento de plataformas digitais, metodologias educacionais, sistemas de monitoramento, modelos de gestão, processos de inclusão tecnológica e soluções construídas para realidades territoriais específicas.

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O papel de uma ICT

A Lei de Inovação, como ficou conhecida a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, estabeleceu mecanismos de incentivo à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico e à inovação no ambiente produtivo e social. Entre seus princípios estão a redução das desigualdades regionais, a cooperação entre os setores público e privado, a formação científica e tecnológica, o fortalecimento das ICTs e a criação de ambientes favoráveis à transferência de tecnologia.

Uma Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação tem como missão desenvolver ou fomentar atividades de pesquisa científica e tecnológica, além de trabalhar na criação ou no aperfeiçoamento de produtos, serviços, processos, métodos e sistemas. Na prática, isso significa partir da identificação de um problema, produzir diagnósticos, reunir conhecimento técnico, experimentar alternativas, desenvolver uma solução, implementá-la e avaliar seus resultados.

Essa lógica orienta a atuação do Instituto Conhecer Brasil. O ICB desenvolve e fomenta pesquisas, tecnologias, produtos, serviços, processos e modelos destinados ao enfrentamento de desafios públicos, econômicos, sociais e ambientais. Seu trabalho compreende diferentes etapas, desde a pesquisa e o diagnóstico inicial até a experimentação, a implementação, o monitoramento e a avaliação das soluções desenvolvidas. O Instituto também atua na transferência e na difusão de tecnologias e conhecimentos, permitindo que experiências bem-sucedidas sejam adaptadas e aplicadas em outros territórios.

Mais do que executar projetos previamente formatados, o ICB busca produzir conhecimento verificável, desenvolver capacidade tecnológica e transformar pesquisa aplicada em resultados mensuráveis. Essa atuação abrange áreas como educação, tecnologia educacional, inclusão digital, formação profissional, empreendedorismo, inovação social, sustentabilidade, redes de cooperação e gestão de projetos de interesse público.

Pesquisa aplicada a problemas reais

Um dos diferenciais da pesquisa aplicada é sua capacidade de produzir respostas para demandas concretas da sociedade. Nesse modelo, o conhecimento não permanece restrito à análise teórica. Ele orienta decisões, fundamenta o desenvolvimento de tecnologias e permite testar soluções em condições reais.

No ICB, os projetos são estruturados a partir da compreensão do território e das necessidades do público atendido. Dados, indicadores, características geográficas, infraestrutura existente e capacidade operacional são considerados no planejamento. Durante a implementação, os resultados são monitorados para que a solução possa ser ajustada, aperfeiçoada e, quando possível, ampliada.

Esse processo pode ser observado no Wi-Fi Livre Comunidades, iniciativa voltada à ampliação da conectividade em áreas com menor acesso à infraestrutura digital. O projeto prevê a implementação de mais de 3.200 pontos de acesso, com capacidade de atendimento de até 150 usuários simultâneos por equipamento, raio médio de cobertura de até 200 metros e disponibilidade operacional superior a 97%. A conexão oferece velocidade mínima de 1 Mbps por usuário e média estimada de 6 Mbps, de acordo com a capacidade e as condições de cada local.

A implantação não consiste apenas na instalação de equipamentos. A cobertura é dimensionada conforme a densidade populacional, a topografia, as barreiras físicas e a concentração de usuários. A expansão é orientada por dados de utilização e demanda territorial, buscando preservar a eficiência técnica e financeira do projeto.

O sistema de gestão desenvolvido pelo ICB permite acompanhar, em tempo real, o número de usuários conectados, o consumo de banda, o desempenho de cada ponto, os alertas operacionais e o histórico de utilização. Essas informações fornecem evidências para a tomada de decisão, orientam ações de manutenção preventiva e permitem aperfeiçoar continuamente a operação.

O projeto mostra como pesquisa, desenvolvimento tecnológico e impacto social podem fazer parte de uma mesma estratégia. A conectividade passa a ser compreendida não apenas como acesso à internet, mas como infraestrutura para educação, trabalho, serviços públicos digitais, empreendedorismo, informação e participação social.

Conectar ciência, instituições e comunidades

A capacidade de uma ICT também depende das redes que consegue formar. Nenhuma instituição produz inovação relevante de maneira isolada. Universidades contribuem com conhecimento científico; empresas oferecem capacidade tecnológica e produtiva; governos apresentam demandas públicas e condições de implementação; pesquisadores desenvolvem estudos e metodologias; comunidades ajudam a compreender as necessidades reais dos territórios.

O papel do ICB é criar conexões entre esses diferentes atores e transformar competências dispersas em projetos estruturados. O Instituto atua na articulação entre empresas, universidades, instituições científicas e tecnológicas, governos, agências de fomento, organizações da sociedade civil, pesquisadores, inventores e comunidades. Essa cooperação amplia a capacidade de desenvolver soluções responsáveis, inclusivas, sustentáveis e adequadas aos contextos nos quais serão utilizadas.

A mesma abordagem está presente em iniciativas educacionais como o RIEFA — Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora. O programa reúne educadores, gestores, pesquisadores, instituições e empresas para discutir, experimentar e desenvolver soluções relacionadas a metodologias ativas, cultura digital, inteligência artificial, realidade aumentada, realidade virtual, metaverso e uso de dados na aprendizagem. Entre as experiências realizadas está uma maratona on-line de 72 horas para o desenvolvimento de protótipos de jogos educacionais, transformando o evento em um ambiente de experimentação e pesquisa aplicada.

Conhecimento que produz transformação

Ao fortalecer sua atuação como Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação, o Instituto Conhecer Brasil reafirma que pesquisa e desenvolvimento devem estar ligados às necessidades da sociedade. A tecnologia, por si só, não resolve desigualdades. Para produzir transformação, ela precisa ser desenvolvida com método, responsabilidade, conhecimento do território, participação dos diferentes setores e avaliação permanente de resultados.

Essa é a importância estratégica do ICB: reunir pesquisa, capacidade técnica, inovação e articulação institucional para desenvolver soluções que possam ser implementadas, mensuradas, aperfeiçoadas e compartilhadas.

Em um país que ainda precisa ampliar seu investimento em ciência e desenvolvimento tecnológico, instituições com esse perfil contribuem para aproximar o conhecimento científico dos problemas cotidianos. Ao transformar dados em decisões, pesquisas em projetos e tecnologia em oportunidades, o Instituto Conhecer Brasil ajuda a construir respostas mais eficientes para desafios que afetam diretamente pessoas, comunidades e instituições.

Para o ICB, investir em pesquisa e desenvolvimento significa investir na capacidade de compreender melhor os problemas do presente e criar, com responsabilidade e evidências, as soluções de que o Brasil precisa para o futuro.